
Estado lidera produção nacional e reforça regras para conter ferrugem asiática e proteger lavouras de soja
Produtores rurais de Goiás entram na fase final do calendário de semeadura do girassol, cultura que se consolida como alternativa estratégica na safrinha. O prazo estabelecido pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) define o encerramento do plantio como medida fitossanitária essencial para preservar a sanidade das lavouras.
A restrição está prevista na Instrução Normativa nº 01/2022 e tem como principal objetivo evitar a presença de plantas voluntárias de soja — conhecidas como “tiguera” — nas áreas cultivadas com girassol, fator que aumenta o risco de disseminação da ferrugem asiática.
Goiás ocupa posição de destaque no cenário nacional, liderando a produção da cultura e consolidando o girassol como importante componente da diversificação agrícola no estado.
Controle fitossanitário e risco da ferrugem asiática
A principal preocupação das autoridades sanitárias está relacionada à ferrugem asiática, doença considerada uma das mais agressivas para a cultura da soja.
Causada pelo fungo Ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), a doença pode comprometer significativamente a produtividade das lavouras.
A presença de plantas voluntárias de soja no meio do girassol cria um ambiente favorável à sobrevivência do fungo, funcionando como ponte verde entre safras.
Por esse motivo, o calendário de semeadura do girassol é utilizado como ferramenta estratégica de controle fitossanitário.
Produção e importância econômica
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa para a safra 2025/2026 é de produção de 72,3 mil toneladas de girassol em Goiás.
A cultura tem ganhado espaço como alternativa na safrinha, sendo frequentemente implantada após a colheita da soja.
Além de contribuir para a diversificação produtiva, o girassol possui relevância econômica por atender diferentes segmentos industriais, como:
- produção de óleo vegetal
- alimentação animal
- mercado de sementes
- biocombustíveis
Especialistas apontam que a cultura também contribui para a melhoria das condições do solo, favorecendo a rotação de culturas.
Ausência de herbicidas reforça regras
Um dos fatores que tornam o cumprimento do calendário ainda mais relevante é a ausência de herbicidas seletivos eficazes para o controle de plantas voluntárias de soja no girassol.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, não há produtos registrados que consigam eliminar a soja tiguera sem comprometer a cultura do girassol.
Esse cenário reforça a necessidade de medidas preventivas, como o respeito ao período de plantio e ao manejo adequado das áreas.
Cultivares e janela de colheita
As normas técnicas também estabelecem critérios para o tipo de cultivar utilizado no plantio.
Lavouras implantadas após o período inicial devem utilizar cultivares de ciclo curto, com duração de até 105 dias, permitindo a colheita dentro do prazo estabelecido.
O objetivo é evitar a permanência de plantas no campo por tempo prolongado, o que aumentaria o risco de disseminação de doenças.
Além disso, áreas com presença de soja voluntária devem ser colhidas obrigatoriamente dentro do período definido pelas autoridades sanitárias.
Monitoramento e cadastro obrigatório
Outro ponto central das regras fitossanitárias é o controle das áreas plantadas.
Produtores são obrigados a realizar o cadastro das lavouras no Sistema de Defesa Agropecuário de Goiás (Sidago), ferramenta que permite o monitoramento das áreas produtivas.
O registro deve ser feito após o término da semeadura e é condição para acompanhamento técnico e fiscalização.
Após o cadastro, é gerado um documento de arrecadação estadual, cujo pagamento formaliza o processo.
Estratégia para sustentabilidade da produção
Segundo técnicos da Agrodefesa, o cumprimento das medidas fitossanitárias tem sido fundamental para garantir a sustentabilidade da produção agrícola em Goiás.
O controle da ferrugem asiática, aliado ao manejo adequado das lavouras, permite que o estado mantenha sua posição de liderança na produção de girassol.
Especialistas destacam que a adoção de regras técnicas e o monitoramento contínuo são essenciais para proteger a produtividade, reduzir riscos e fortalecer a cadeia do agronegócio.
Desafio do produtor e responsabilidade sanitária
O calendário agrícola imposto pela normativa exige planejamento e atenção por parte dos produtores.
O cumprimento dos prazos não é apenas uma exigência legal, mas uma estratégia coletiva para evitar prejuízos econômicos e sanitários.
A integração entre produtores, órgãos de defesa agropecuária e instituições de pesquisa tem sido apontada como fator determinante para o sucesso do modelo adotado em Goiás.








